sábado, 30 de junho de 2012

Novas tecnologias podem ser a solução para a educação




A metodologia MenteInovadora já foi adotada por milhares de escolas em mais de 30 países

29 de junho de 2012 | 16h 40


Daiene Cardoso e Guilherme Waltenberg - Agência Estado
SÃO PAULO - São Paulo tem deficiências crônicas na área da Educação. Entre elas, o analfabetismo e o fato de 20% dos alunos do ensino público virem de áreas consideradas de alta vulnerabilidade social e não haver políticas voltadas para este segmento, alerta a presidente do Centro de Estudos e Pesquisas em Educação, Cultura e Ação Comunitária (CENPEC), Maria Alice Setubal. Para ela, São Paulo está "um século atrasada" em comparação com outras grandes metrópoles.
Integrantes dos movimentos estudantis durante sessão da Comissão de Educação, na Câmara - Beto Barata/AE
Beto Barata/AE
Integrantes dos movimentos estudantis durante sessão da Comissão de Educação, na Câmara
Para a especialista, uma maneira de resolver esse problema e aproximar o mundo dos jovens e a escola, é investir em novas tecnologias. "Com as novas tecnologias você pode trazer o ensino ao ambiente delas", prega. "Hoje, a escola não tem sentido. (Ela deve) formar cidadãos que possam estar contribuindo para questões atuais, como sustentabilidade e conviver com diferenças. É importante pensar valores dentro da escola. Diálogo, não violência, convivência. Pontos para pensar o que é uma educação contemporânea que faça sentido", diz.
Dentre as tecnologias que estão no mercado brasileiro, uma vem despertando a atenção dos educadores e gestores públicos e privados pelos resultados alcançados na transformação de conhecimento em soluções. Criada em Israel há 17 anos, a metodologia Mind Lab, batizada no Brasil de MenteInovadora, já foi adotada por milhares de escolas em mais de 30 países. Mais de 10.000 professores foram treinados e certificados, e mais de 2.000.000 estudantes utilizam essa metodologia para melhorar suas habilidades de raciocínio.
No Brasil, o Programa Menteinovadora vem sendo implantado desde 2006 em escolas públicas municipais e estaduais, bem como em escolas da rede particular de ensino. Estudos realizados pelo Instituto de Avaliação e Desenvolvimento Educacional (INADE) no Brasil apuraram o impacto da utilização, durante três meses letivos, dessa metodologia, nos níveis de aprendizagem de matemática e língua portuguesa para além do esperado para o período, considerando a escala SAEB.
"Hoje, entrando no século XXI, a sociedade mudou e as necessidades são outras. É imprescindível transformar a prática da sala de aula para dar conta destas novas demandas e contemplar estes novos saberes sobre o aprender e o ensinar.", destaca Sandra Garcia, Diretora Pedagógica da Mind Lab.
Integral
Além da aposta em novas tecnologias, a presidente do Centro de Estudos e Pesquisas em Educação, Cultura e Ação Comunitária defende também que a Prefeitura adote ações específicas para territórios de alta vulnerabilidade social, onde estão cerca de 20% das crianças na Capital. "Tem que haver um grande esforço de capacitação dos professores locais, materiais específicos, ampliar o universo cultural das crianças e dos professores", defende Maria Alice como resposta a essa situação.
Outro conceito que Maria Alice defende para as escolas do município é o que chama de educação integral. Ela define essa modalidade como "pensar uma escola articulada com uma visão mais contemporânea, mais interconectada". Em sua opinião, "a sociedade é mais compartimentada, tem que haver projetos intersetoriais (na sala de aula)". E defende ainda a revisão do tempo em que a criança passa na sala de aula. Para ela, o ideal é uma jornada de sete horas. "Educação integral é pensar a escola inserida na sua comunidade", ressalta.

Fonte:Daiene Cardoso e Guilherme Waltenberg - Agência Estado

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